Funcel Esportes
27/06/2012
O que rola na FUNCEL
Fundação CELEPAR
Coordenação de Esportes
"O que rola na FUNCEL", nº1 - Aikido
28 de junho de 2012, quinta-feira.
A FUNCEL disponibiliza mais um espaço para divulgar as modalidades oferecidas pela Coordenação de Esportes aos associados e dependentes.
"O que rola na FUNCEL" tratará de oportunizar o conhecimento mais profundo sobre nossas modalidades e como são tratadas pelos profissionais que aqui ministram suas aulas.
Nessa primeira edição, o sensei Luis Claudio Brito Patricio nos encaminha um texto relacionado ao Aikido. Suas aulas são realizadas nas terças e sextas-feiras, a partir das 11h45, em nossa sala de atividades. Venha conhecer!
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Aikido como Budo
Nota-se, claramente, uma grande lacuna no entendimento do Aikido que não vejo diminuir à medida que ele se desenvolve.
As pessoas fazem Aikido pelos mais variados motivos. Há muitas pessoas que não vão ser artistas marciais nesta vida. Elas não estão interessados nesse lado da arte. Ao contrário, elas estão interessados em seguir o lado do movimento, o lado da energia, o lado que serve de modelo para a resolução de conflitos. Em alguns casos elas simplesmente gostam de fazer parte de uma comunidade de pessoas com o qual elas podem fazer uma prática interessante.
Não tenho qualquer problema com isso. Sua prática deve ser um reflexo de quem você é e quem você gostaria de ser. Quando as pessoas são claras consigo mesmas e com os outros e assumem que elas simplesmente não estão interessadas no lado marcial do Aikido, elas são livres para prosseguir sem qualquer crítica de minha parte.
Mas há pessoas que passaram muitos anos tentando manter o lado da arte que manifesta os princípios do Budo. A arte como ele foi apresentado a mim era tanto uma prática vital espiritual quanto uma arte marcial. É de suma importância para mim que as pessoas não interpretem erroneamente a natureza do que elas estão fazendo.
Há muitos de nós que olha para o que se chama de Aikido como nada mais do que uma arte da “força do pensamento”. Eu tenho visto pessoas voando no ar quando o nage estava a dez metros de distância. Eu já fiz técnicas em um uke que saiu voando pela sala com um movimento do meu pulso sabendo muito bem que a mesma técnica não teria efeito algum sobre qualquer um dos meus alunos. Eu, regularmente, entro no tatame com pessoas cujos ataques podem ter qualquer intenção, exceto acertar o defensor. Eu assisti uma vez como Ikeda Sensei recusou-se a mover até que o uke o acertasse de verdade. O uke que não conseguia dar o golpe. Ele sempre desviava o ataque no último segundo.
Todas estas pessoas tinham a impressão de que eles estavam praticando uma arte marcial. Mas o que estava acontecendo não tinha nada a ver com Budo. Os Fundadores das artes marciais modernas queriam preservar os aspectos das artes marciais que podiam ser desenvolvidos através do treinamento dedicado. Eles reconheceram que o objetivo principal do treinamento não era mais o combate, a tecnologia moderna tornou isso irrelevante. No entanto, eles notaram que havia lições que o treinamento do Budo oferecia e eles não desejam ver isso desaparecer.
Aikido é precisamente uma dessas artes. O Fundador foi bastante específico sobre não querer que o Aikido fosse transformado num esporte. O treinamento dado aos seus alunos era do tipo mais extenuante. Ele certamente não via sua arte como uma forma de dança não-marcial sem aplicação prática.
Quando a arte é atenuada ao ponto onde de não haver mais qualquer realidade no treino, as lições de Budo estão ausentes. Então, quando há discussões nas quais é evidente que pessoas bem intencionadas fazem declarações imprecisas sobre Aikido, isso provoca uma resposta.
Este não é apenas uma questão de opinião. Filosofia, espiritualidade, variação técnica, são em grande parte as questões de preferência pessoal. Aplicação marcial não é. Você pode fazê-lo ou você não pode. Nos velhos tempos no Japão, se você se colocasse como um professor, você poderia esperar que alguém iria aparecer à sua porta para ver se você consegue fazer o que fala. Se você não conseguisse, seus alunos tinham todo direito de cair fora.
Aqueles dias se foram. Então, tudo o que resta é a aplicação do senso comum, o desejo de adquirir conhecimento, tanto quanto possível, e um compromisso com a verdade na sua própria formação. Você tem que buscar parceiros que te acertem se conseguirem, que parem a sua técnica quando você cometer um erro e derrubem você quando tiverem uma brecha.
Eu tenho treinado com todos os professores Aikido que eu encontrei ao longo dos anos. Há uma gama enorme de foco e capacidade entre essas pessoas. Alguns podem fazer a sua técnica num contexto marcial e outros não podem. Alguns são marcialmente ferozes mas não são úteis como modelo para os valores que estou defendendo em minha vida. Um número pequeno pode fazer as duas coisas e esses são os professores com quem eu busco treinar. Exceto sair por todo o país desafiando outros artistas marciais para lutar, isso é o melhor que posso fazer. Quando professores que têm mais habilidade e experiência do que eu provavelmente jamais terei, me dizem algo, eu tendo a acreditar neles. Quando eu vejo pessoas com uma fração de sua experiência ou até mesmo uma fração da minha própria experiência ignorando seus ensinamentos e sustentando que algumas coisas são possíveis e eu sei que elas não são, isso sim me deixa preocupado com o tipo de treinamento e o que isso significa para o arte no futuro.
Há pessoas que são altamente qualificados na técnica e no ensino. É uma pena que tantos alunos não possam notar a diferença entre o que é real em um nível fundamental e o que é simplesmente um caso de “A roupa nova do imperador”. Muitos dos melhores praticantes de Aikido que eu conheço têm passado por maus bocados porque simplesmente não há muitas pessoas interessadas em se esforçar a alcançar seu limite. Em vez disso, evitam desafios por puro preconceito, juntam-se apenas com aqueles que concordam com tudo que dizem e fazem uma prática divertida. Isto é exatamente o que deve ser feito se você deseja remover os elementos de transformação pessoal que existem na prática de um verdadeiro Budo.
O-Sensei desafiou todos nós a ver que havia uma mudança radical ao olhar para sua arte. Não fazia o menor sentido lhe dizer que a arte ia ser diluída, feita para ser um passatempo divertido para curiosos bem intencionados. E em parte, é isso que o Aikido se tornou. E eu não sei se algo vai mudar isso. Para as pessoas que se sentem atraídas por isso, o treinamento em Aikido como Budo não será seu caminho. Se as pessoas não querem aprender algo, ninguém pode fazê-los ver. Então, o Aikido continuará a se desenvolver de tal forma que apenas dizendo que você faz Aikido não terá significado. Em vez disso, você terá que especificar o tipo de Aikido que você faz, qual é a abordagem que você toma, quem é seu professor… Então, as pessoas poderão ter alguma ideia do que você está fazendo. Tem gente por aí fazendo Aikido que tem apenas uma semelhança superficial com o que estou fazendo. Ainda que ambos chamemos de Aikido. Isso vai continuar enquanto as pessoas treinarem sem querer saber o que eles podem e não podem realmente fazer, mas simplesmente desejam ser reconhecidas por seus esforços.
Publicado originalmente em inglês por George S. Ledyard.
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Coordenação de Esportes - funcelesporte@funcel.org.br
Profº Paulo Farias Paixão Junior - paixao@funcel.org.br
Coordenador Julio Cesar Ribeiro Taborda
A FUNCEL disponibiliza mais um espaço para divulgar as modalidades oferecidas pela Coordenação de Esportes aos associados e dependentes.
"O que rola na FUNCEL" tratará de oportunizar o conhecimento mais profundo sobre nossas modalidades e como são tratadas pelos profissionais que aqui ministram suas aulas.
Nessa primeira edição, o sensei Luis Claudio Brito Patricio nos encaminha um texto relacionado ao Aikido. Suas aulas são realizadas nas terças e sextas-feiras, a partir das 11h45, em nossa sala de atividades. Venha conhecer!
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Aikido como Budo
Nota-se, claramente, uma grande lacuna no entendimento do Aikido que não vejo diminuir à medida que ele se desenvolve.
As pessoas fazem Aikido pelos mais variados motivos. Há muitas pessoas que não vão ser artistas marciais nesta vida. Elas não estão interessados nesse lado da arte. Ao contrário, elas estão interessados em seguir o lado do movimento, o lado da energia, o lado que serve de modelo para a resolução de conflitos. Em alguns casos elas simplesmente gostam de fazer parte de uma comunidade de pessoas com o qual elas podem fazer uma prática interessante.
Não tenho qualquer problema com isso. Sua prática deve ser um reflexo de quem você é e quem você gostaria de ser. Quando as pessoas são claras consigo mesmas e com os outros e assumem que elas simplesmente não estão interessadas no lado marcial do Aikido, elas são livres para prosseguir sem qualquer crítica de minha parte.
Mas há pessoas que passaram muitos anos tentando manter o lado da arte que manifesta os princípios do Budo. A arte como ele foi apresentado a mim era tanto uma prática vital espiritual quanto uma arte marcial. É de suma importância para mim que as pessoas não interpretem erroneamente a natureza do que elas estão fazendo.
Há muitos de nós que olha para o que se chama de Aikido como nada mais do que uma arte da “força do pensamento”. Eu tenho visto pessoas voando no ar quando o nage estava a dez metros de distância. Eu já fiz técnicas em um uke que saiu voando pela sala com um movimento do meu pulso sabendo muito bem que a mesma técnica não teria efeito algum sobre qualquer um dos meus alunos. Eu, regularmente, entro no tatame com pessoas cujos ataques podem ter qualquer intenção, exceto acertar o defensor. Eu assisti uma vez como Ikeda Sensei recusou-se a mover até que o uke o acertasse de verdade. O uke que não conseguia dar o golpe. Ele sempre desviava o ataque no último segundo.
Todas estas pessoas tinham a impressão de que eles estavam praticando uma arte marcial. Mas o que estava acontecendo não tinha nada a ver com Budo. Os Fundadores das artes marciais modernas queriam preservar os aspectos das artes marciais que podiam ser desenvolvidos através do treinamento dedicado. Eles reconheceram que o objetivo principal do treinamento não era mais o combate, a tecnologia moderna tornou isso irrelevante. No entanto, eles notaram que havia lições que o treinamento do Budo oferecia e eles não desejam ver isso desaparecer.
Aikido é precisamente uma dessas artes. O Fundador foi bastante específico sobre não querer que o Aikido fosse transformado num esporte. O treinamento dado aos seus alunos era do tipo mais extenuante. Ele certamente não via sua arte como uma forma de dança não-marcial sem aplicação prática.
Quando a arte é atenuada ao ponto onde de não haver mais qualquer realidade no treino, as lições de Budo estão ausentes. Então, quando há discussões nas quais é evidente que pessoas bem intencionadas fazem declarações imprecisas sobre Aikido, isso provoca uma resposta.
Este não é apenas uma questão de opinião. Filosofia, espiritualidade, variação técnica, são em grande parte as questões de preferência pessoal. Aplicação marcial não é. Você pode fazê-lo ou você não pode. Nos velhos tempos no Japão, se você se colocasse como um professor, você poderia esperar que alguém iria aparecer à sua porta para ver se você consegue fazer o que fala. Se você não conseguisse, seus alunos tinham todo direito de cair fora.
Aqueles dias se foram. Então, tudo o que resta é a aplicação do senso comum, o desejo de adquirir conhecimento, tanto quanto possível, e um compromisso com a verdade na sua própria formação. Você tem que buscar parceiros que te acertem se conseguirem, que parem a sua técnica quando você cometer um erro e derrubem você quando tiverem uma brecha.
Eu tenho treinado com todos os professores Aikido que eu encontrei ao longo dos anos. Há uma gama enorme de foco e capacidade entre essas pessoas. Alguns podem fazer a sua técnica num contexto marcial e outros não podem. Alguns são marcialmente ferozes mas não são úteis como modelo para os valores que estou defendendo em minha vida. Um número pequeno pode fazer as duas coisas e esses são os professores com quem eu busco treinar. Exceto sair por todo o país desafiando outros artistas marciais para lutar, isso é o melhor que posso fazer. Quando professores que têm mais habilidade e experiência do que eu provavelmente jamais terei, me dizem algo, eu tendo a acreditar neles. Quando eu vejo pessoas com uma fração de sua experiência ou até mesmo uma fração da minha própria experiência ignorando seus ensinamentos e sustentando que algumas coisas são possíveis e eu sei que elas não são, isso sim me deixa preocupado com o tipo de treinamento e o que isso significa para o arte no futuro.
Há pessoas que são altamente qualificados na técnica e no ensino. É uma pena que tantos alunos não possam notar a diferença entre o que é real em um nível fundamental e o que é simplesmente um caso de “A roupa nova do imperador”. Muitos dos melhores praticantes de Aikido que eu conheço têm passado por maus bocados porque simplesmente não há muitas pessoas interessadas em se esforçar a alcançar seu limite. Em vez disso, evitam desafios por puro preconceito, juntam-se apenas com aqueles que concordam com tudo que dizem e fazem uma prática divertida. Isto é exatamente o que deve ser feito se você deseja remover os elementos de transformação pessoal que existem na prática de um verdadeiro Budo.
O-Sensei desafiou todos nós a ver que havia uma mudança radical ao olhar para sua arte. Não fazia o menor sentido lhe dizer que a arte ia ser diluída, feita para ser um passatempo divertido para curiosos bem intencionados. E em parte, é isso que o Aikido se tornou. E eu não sei se algo vai mudar isso. Para as pessoas que se sentem atraídas por isso, o treinamento em Aikido como Budo não será seu caminho. Se as pessoas não querem aprender algo, ninguém pode fazê-los ver. Então, o Aikido continuará a se desenvolver de tal forma que apenas dizendo que você faz Aikido não terá significado. Em vez disso, você terá que especificar o tipo de Aikido que você faz, qual é a abordagem que você toma, quem é seu professor… Então, as pessoas poderão ter alguma ideia do que você está fazendo. Tem gente por aí fazendo Aikido que tem apenas uma semelhança superficial com o que estou fazendo. Ainda que ambos chamemos de Aikido. Isso vai continuar enquanto as pessoas treinarem sem querer saber o que eles podem e não podem realmente fazer, mas simplesmente desejam ser reconhecidas por seus esforços.
Publicado originalmente em inglês por George S. Ledyard.
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Coordenação de Esportes - funcelesporte@funcel.org.br
Profº Paulo Farias Paixão Junior - paixao@funcel.org.br
Coordenador Julio Cesar Ribeiro Taborda